As Paixões de Descartes

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Principais Paixões

Para René Descartes são três os grupos de paixões consideradas primitivas, dois em cada grupo sendo um o contrário do outro:

1ª Estima e Desprezo

2ª Amor e Ódio

3ª Alegria e Tristeza

 Todas as outras paixões como a inveja, a admiração, o ciúme, o remorso são derivações das primitivas que se conhecidas fácil é identificar a qual grupo pertence. Logo vê-se que esses grupos se relacionam:

Desprezo – Ódio – Tristeza

Estima – Amor – Alegria

Podemos considerar o Amor como um sentimento e a Estima uma espécie de Amor e, a Alegria uma emoção causada em nosso corpo (choro, riso, coração que bate forte) por ação desses sentimentos de Amor.

Da mesma forma o Ódio tem como espécie o Desprezo, maneira de odiar e a Tristeza como emoção ou sensação causada no corpo advinda de quando se sente odioso.

  

Amor e Ódio

O Amor é o desejo de unir-se ao que se considera conveniente. O Ódio é o desejo de separar-se ao que pode ser nocivo.

As impressões de Amor e Ódio são denominadas Bem e Mal respectivamente. Isso seria dizer que tudo aquilo qual consideramos pelas impressões, ou seja, sensações ou considerações interiores sem levar em conta a aparência exterior de algo ou alguém são denominadas Bem ou Mal na expressão do termo. Assim, o Bem seria aquilo que nos convém ou nos agrada e o Amor o próprio sentimento de sentirmo-nos satisfeitos. O Mal seria o que não nos convém ou agrada de modo que se nos parece nocivo e o repudiamos.

Àquilo que denominamos Bem ou Mal pode ter outra expressão quando a consideramos pelas sensações da visão. Isso quer dizer que a aparência que não nos agrada é considerada não como um  mal e sim como Feia. O Desprezo ou até mesmo o ódio é o sentimento que advém quando consideramos algo feio. O que nos agrada à aparência, contrariamente ao Feio seria o Belo.

Poder-se-ia dizer, por isso, que das impressões interiores que agradam-nos ou o contrário, por qualquer que seja o motivo são denominadas Mal ou Bem e o sentimento que delas temos são Ódio ou Amor.

Impressões Interiores Agradáveis – Bem – Amor

Impressões Interiores Desagradáveis – Mal – Ódio

Tão logo as impressões de alma (impressões interiores), todavia, causadas pelos sentidos exteriores, agradáveis ou desagradáveis são denominadas Belo ou Feio, mas o s sentimentos são os mesmos:

Impressões dos Sentidos Agradáveis – Belo – Amor

Impressões dos Sentidos Desagradáveis – Feio – Ódio

Ora, ninguém que considere  uma roupa ou um calçado feio irá usá-lo. E por quê? Para Descartes, porque o odeia. No conceito de Descartes Ódio não tem um sentido altamente negativo. Achar algo ou alguém Feio é um sentimento de Ódio. Não teria como dizer, dessa forma, que gostar não é amar. Gosta-se, agrada; se agrada, convém; se convém, ama.

Formas de Amar

 

O Amor que se dedica a amar em comparação conosco mesmo:

  1. Amor Concupiscência: deseja a coisa que ama;

  2. Amor Benevolência: quer o bem a quem ama;

  3. Amor estima: dedicação ao outro como a si mesmo

3A: Amor-Estima como Afeição: quando estima-se menos que a si mesmo;

3B: Amor Estima como Amizade: quando estima-se como a si mesmo;

3C: Amor-Estima como Devoção: quando estima-se mais que a si mesmo.

Outras Paixões

Da Admiração:

“A admiração é uma surpresa da alma, que o leva a considerar com atenção os objetos que lhe parecem caros e extraordinários.”

Do Ciúme:

“E despreza-se um homem que sente ciúme de sua mulher, porque isso testemunha que não a ama seriamente e que alimenta má opinião de si ou dela: digo que não a ama seriamente pois, se nutrisse um verdadeiro amor por ela, não teria a menor inclinação para dela desconfiar, mas não é a ela que propriamente ama mas somente o bem que imagina consistir em sua posse exclusiva; e não temeria perder este bem, caso não julgasse que é indigno dele ou então que sua mulher é infiel.”

Da Inveja:

“O que se chama comumente inveja é um vício que consiste numa perversidade de natureza que leva certa gente a se desgostar com o bem que vê acontecer aos outros homens; mas sirvo-me aqui dessas palavras para significar uma paixão que nem sempre é viciosa. A inveja, portanto, enquanto e uma paixão, é uma espécie de tristeza mesclada de ódio que nasce do fato de se ver acontecer o bem àqueles que julgamos indignos dele.”

Bibliografia:

“As Paixões da Alma”. Descartes, René. Série Os Pensadores, Volume I – Nova Cultural, Ed. 4. 1987/SP.

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