Pensamento e Vontade

pensamento-vontade

Não é possível ao homem dominar absolutamente os seus pensamentos. O pensamento é intangível e um mistério da vida de forma que, só sabemos sobre ele porque assim denominamos a atividade do cérebro, à capacidade de pensar. Disse Descartes: “se duvido, penso; se penso logo, existo”.

Ao escrever estas palavras, percebo que a gramática que compõe estas letras me proporciona, pela disciplina organizar os meus pensamentos para expressar-lhes numa língua, ou seja, eu consigo me fazer entender por meio de regras linguísticas de um determinado idioma, o meu pensamento. E percebo ainda que, sempre pensei, mas que meus pensamentos ao longo de minha vida foram disciplinados segundo a cultura, educação familiar e língua que aprendi. Porém, sei que os pensamentos não são organizados como no ato de escrever, e que sim, são abstratos na sua maior acepção. O pensamento organizado por palavras é mero esforço automático do intelecto, ou seja, da capacidade humana de usar sua inteligência. Isto nos faz crer ser o pensamento a única faculdade no homem que este não pode dominar. Necessário faz-se, então, um experimento simples. Peça a alguém que não pense em um elefante rosa. Ele vai pensar, ou se tentar não pensar já estará a fazer.

Certos pensamentos podem ser desagradáveis, causadores de tristeza, angústia, dores na alma. Uma pessoa que não queira angustiar-se por algum acontecimento pode pensar em não querer pensar naquilo que a desagrada, só que não deixará de pensar naquilo se não ocupar sua mente com outra coisa e realmente esquecer, por efeito da vontade o que a angustia. Sim, é com o auxílio da vontade que melhor controla-se o pensamento. Pois a vontade desvia a atenção para aquilo que a interessa. Isso quer dizer que o homem natural, ou seja, nós humanos, espécie sapiens-sapiens da Terra podemos, ao menos, disciplinar os nossos pensamentos. É o que tenta fazer o ser que busca uma compreensão melhor de si mesmo, o que tenta a filosofia, a psicologia e as religiões, assim como o misticismo o e os ocultistas. Nem todos compreendem a lei maior que rege nossa composição de matéria física e espiritual, mas todos sabem que devemos para uma melhor compreensão da vida, para o bem viver e a fraternidade manter uma moralidade que seja a mais pura possível. O padrão de moralidade, a ética disciplina o homem a ter atitudes mais corretas com relação ao bem, ao belo e ao justo. A moral religiosa e as filosofias esotéricas ensinam a moral do pensamento, pois o homem não pode ser bom sem que o queira e, para isto é necessário que ele discipline seus pensamentos.

As paixões, os desejos, as vontades estão estritamente relacionadas com o pensar e o agir. Nada se faz sem a vontade! Alguém pode objetar alegando o seguinte: a supor que um filho seja obrigado pelos pais a fazer algo que seja contra sua “vontade”, p. ex., que ele vá levar o lixo à rua. Ora, a priori, parece, deveras, que o filho agiu sem vontade alguma, contudo, engana-se quem assim pensa. O rapaz coagido pelos pais tem uma vontade oculta, pois se não houvesse vontade alguma, levar o lixo da casa à rua, decerto, ele não faria. Então, porque quando somos coagidos ou, quando não achamos escapatória nos entregamos à ação que não seria de nossa vontade, a priori? Simples. A vontade do menino não estava em fazer o que os seus pais o mandaram. O que ele não quis foi ser castigado, levar uma bronca que ele sabia ser consequência se não fizesse o que os pais o coagiram fazer. Atente, a vontade do rapaz é ficar em harmonia com seus pais e por isso submeteu-se à vontade deles. Provavelmente quisesse parecer obediente ou mesmo receber uma recompensa futura. O fato é que ninguém faz coisa alguma sem que seja de sua vontade. Somos responsáveis por nós mesmos e pelo mundo inteiro, fazemos o que queremos fazer e pronto. Veja, o objetivo da vontade pode ser outro daquele que nos parece ser. A vontade mesma nos impele a fazer o que não queremos para que a real vontade de algo possa ser exequível.

Como já supracitado a impossibilidade de dominar os pensamentos não descarta a possibilidade de discipliná-los. No pensamento concentram-se as faculdades subjetivas da consciência, quais são: memória, raciocínio e imaginação.

Imaginação é o pensamento sobre eventos futuros que nunca se concretizaram na realidade física ou não são possíveis mesmo de serem concretizados. É o pensar sobre coisas possíveis e impossíveis no nosso mundo físico ou, ainda, o que os sentidos humanos possam ou não alcançar. Imaginar é inventar ideias, construir fantasias ou estar em devaneios.

Memória é a recordação dos fatos conhecidos pelos sentidos humanos.

Raciocínio são pensamentos concentrados em determinado assunto.

Há uma subdivisão das faculdades subjetivas: a meditação e a reflexão. É muito difícil defini-las, mas posso dizer que são pensamentos reiterados centralizados no objeto da imaginação, memória ou raciocínio.

As faculdades subjetivas despertam em nós emoções e sentimentos que são emoções da alma, segundo Descartes. São sentidas interiormente e ocasionadas pelas experiências dos sentidos e das faculdades subjetivas do pensamento.

Os pensamentos estão fortemente relacionados com os desejos e as paixões, sentimentos que impulsionados pela vontade nos faz agir. Com a disciplina dos pensamentos supõe-se a disciplina dos atos.

São os sentidos do homem, as sensações interiores, as experiências e a atividade do cérebro que não permitem com que pare de pensar, isso a falar de forma vaga, pois o pensamento é vibração, energia que só é possível por causa de outras energias salutares, imprescindíveis, fundamentais.

Muitas vezes, quando leio um livro, assisto TV ou faço qualquer outra coisa, ao mesmo tempo penso. Após alguns minutos percebo minha atenção voltada para algo diferente do que estava anteriormente concentrado. Esse lapso no qual desviei minha atenção de uma para outra coisa foi imperceptível e a percepção só veio após ter descoberto já ter perdido a atenção do objetivo para algo diferente. A este fenômeno denomino “insight”, ainda que eu saiba ser este termo muito mais abrangente do que a significação a qual quero dar. Insight, por esse modo, seria o pensamento espontâneo que surge interpondo outro e que pode tirar a atenção do pensante daquela atividade subjetiva a que estava concentrado e mudar o rumo da atenção para o novo pensamento que espontaneamente surgiu. É por isso também que se deve tomar cuidado com o pensar, os desejos nos incitam a imaginação e pode nos levar a devaneios que nos tiram a concentração, a paz ou mesmo nos levam a caminhos tortuosos.

Quem não domina suas ações deve disciplinar seus pensamentos. Quando conseguimos discipliná-los fazemos com que o nosso dia-a-dia também o seja.

Publicação Original no blog irmão: Consciência Esotérica

 

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