Quimbanda – O Lado Esquerdo da Umbanda

A QUIMBANDA NA VISÃO UMBANDÍSTICA

FORMAS DIVERSAS DE SE OLHAR EXU

Ki-mbanda

Quimbanda, ou as “linhas de esquerda”

Nunca se deve confundir o Orixá Exu com as entidades que integram sua Linha de Força.

A questão mais polêmica, sem sombra de dúvida, cerca o orixá Exu. Ele é uma força da natureza, imaterial e incorpóreo, como os demais orixás.

Dentro da Umbanda, a Hierarquia deste orixá denomina-se Quimbanda, recebendo ainda os nomes de Banda dos Exus e Falange dos Exus.

Na Umbanda, entende-se que este orixá e as entidades que fazem parte de sua falange atuam “à esquerda”. Isso, porém, não significa que sejam de agentes do Mal!

Simplesmente, o orixá Exu – que erroneamente tem sido associado às forças diabólicas do ideário cristão – é uma força complementar às Linhas da Direita. Do mesmo modo que homem e mulher são opostos-complementares, e que tudo no Universo interage e se interpenetra, também as forças da “Direita” e da “Esquerda” se unem e se completam.

As entidades que constituem a Quimbanda são denominadas Exus, Pombas-giras e Exus-mirins. Têm missão cármica definida e trabalham no sentido de evoluir no plano espiritual, exatamente como os integrantes de todas as outras falanges.

Os Exus são responsáveis pelos trabalhos de proteção, além de terem energia vitalizadora e promoverem a desagregação de energias maléficas. Existe ainda um outro papel, muito delicado, que cabe aos integrantes desta hierarquia: é o de liberar o consciente e o inconsciente do fiel que estiver se preparando para desenvolver um trabalho mais ativo no terreiro. As entidades de Quimbanda podem trazer à tona os traumas e os segredos reprimidos – conscientemente ou não – pelo “filho de fé”.

Sendo assim, pode acontecer de os “cavalos” que estejam incorporando essas entidades de Esquerda usarem linguajar torpe ou adotarem comportamentos duvidosos. Nestes casos, deve-se entender que aquele não é o procedimento da entidade em si – na verdade, pode tratar-se de uma “faxina” no inconsciente do próprio médium.

É bom ressaltar, porém, que a natureza complexa da missão confiada aos espíritos da Quimbanda os torna bem mais difíceis do que as demais entidades. Sendo assim, é necessário ter muito CONHECIMENTO e, principalmente, DISCERNIMENTO, para lidar com essas forças.

 

QUIMBANDA PARA A UMBANDA ESOTÉRICA

É certo que o homem nunca temeu nem teme o Bem, e sempre respeitou, digamos, sempre teve pavor do Mal. Passaremos a esclarecer, embora em linhas gerais, alguns aspectos da Quimbanda, porque o objetivo primordial deste texto, no momento, é dirigido a, simplesmente, à Umbanda.

A palavra Quimbanda é a mesma Ki-mbanda, e está formado pela radical Mbanda, tendo sido aposto o prefixo Ki, significando: CONJUNTO OPOSTO DA LEI. É composto de Sete Planos Opostos ou Negativos da Lei, geradores do equilíbrio entre o que está em cima e o que está embaixo, ou, em sentido esotérico, “uma paralela atuante”.

Esta paralela, a Quimbanda, entrosa-se nas ações Circulares ou Envolventes do Karma-Passivo e equilibra-se com a outra “paralela atuante”, que é a Umbanda, que se manifesta nas ações Angulares do Karma-Ativo. Estes dois planos, entrando em conexão, facultam, pelas ações experimentais, o EQUILÍBRIO na atuação entre as “paralelas karmânicas” Passiva e Ativa.

QUIMBANDA – Faz sentir sua ação no próprio Karma para cobranças das Causas e dos Efeitos já Constituídos pelas ações negativas, precipitando o Retorno e o Choque.

UMBANDA – Faz sentir sua ação no próprio Karma, precipitando as ações Positivas já constituídas ou criando condições para outras, que poderão neutralizar ou equilibrar as Causas e os Efeitos.

A Quimbanda , no meio umbandista ou mesmo em seu próprio “habitat”, é a coisa mais confusa  e disparatada que se pode observar, tanto nas concepções, quanto nas práticas.

De modo geral, admitem dentro dela uma linha das Almas (?) composta de “umuluns”, espíritos que dizem ter uma forma apavorante, peludos como ursos brancos, usando cornos, etc., tendo como chefe (sic) um Santo, o S.Lázaro (qual dos 4 santos ou bispos do mesmo nome?).

Admitem ainda a Linha dos cemitérios, constituída pelas 7 Legiões dos caveiras, chefiadas por João Caveira, e afirmam que os espíritos desta Linha têm a forma de um “esqueleto humano”. (Obs.: é crença comum acreditarem ser esta Linha integrada por “almas aflitas, necessitadas, suicidas, queimadas, enforcadas, afogadas, etc.”, enquanto que a já citada Linha das Almas compõe-se de “umuluns”, que são espíritos ou almas cuja órbita ou campo de ação são os cemitérios).

Falam na Linha Nagô, cujo espíritos integrantes chamam-se “gangas” e ainda de uma Linha de Mossurubi, composta de espíritos de pretos, tais como os dos Cafres, Zulus, Hotentotes, etc. A concepção mais arraigada está na Linha das Encruzilhadas, que dizem também “de Malei” ou de Exus. Não podemos passar em branco a descrição que, genericamente, fazem dos Exus, os quais dizem “possuir na cabeça uma luz vermelha, como um archote, e quase todos portadores de cauda e chifres”. Uns têm pés e pernas de bode, chifres grandes ou pequenos, outros têm forma de morcegos, de gorilas, usando capa preta de fundo vermelho e tridente arredondados. Nesta altura, temos que dissertar um pouco à margem, mas os assuntos são conexos.

Obedecendo à descrição retro, vemos que existe uma variedade de estátuas de Exus: A, B, C, D etc. , à venda nas vitrinas e (que absurdo!) preceituadas em grande número de “terreiros de Umbanda”, É deprimente ver como a ignorância gera o fanatismo, irmão gêmeo do fetichismo. Causa espécie vermos milhares de criaturas, em pleno século XX, venerem estátuas esquisitas, modeladas segundo as descrições citadas e apoiadas por “videntes” que, na maioria, devem ter confundido “larvas” diversas com os ditos elementais, vítimas, talvez, de seus próprios estados mentais ou alucinatórios, criando, assim, um conceito comum sobre Exus, quando o qualificam de “o homem de capa preta, o malvado, o homem da meia-noite, o compadre, etc.”, pensando mesmo que eles sejam semelhantes à figuração mitológica do Diabo, com tridente, cornos e pés de pode. Em confirmação disso vemos o fato de estarem essas estatuetas colocadas em cercado de madeira, à entrada dos terreiros, cercadas de “iguarias e marafa”, e que eles denominam “casa do ‘seu’ Exu”.

Discordamos quase “in totum” destas teorias e práticas. Sabemos não expressarem a realidade. É possível que certos espíritos, na fase de elementares, possam apresentar-se sob aspectos horríveis, mas sem os referidos atributos que ornam a figuração do príncipio do mal, adotada por algumas religiões.

Em realidade, os Exus, pela aparência natural de seus corpos astrais, SÃO BEM DIFERENTES. Suas emanações vibratórias são pesadas, perturbadores seus aspectos fluídicos, suas irradiações magnéticas causam sensações mórbidas e pavor. Isto, sim, sabemos ser verdade. São espíritos, na fase de Elementares, que, no último ciclo (3) de libertação, podem ter várias encarnações, mas continuam necessitando precipitar, cada vez mais, o próprio Karma, na ânsia de criar as ações e os efeitos que facultam a experimentação e consequentes conhecimentos, imprescindíveis, ao “verdadeiro despertar consciente do Ego”.

Os Exus são tão necessários á Umbanda, como os serviçais aos patrões. Tudo na vida tem seus, veículos apropriados. As mazelas, doenças, aflições, demandas, interesses materiais, os casos de ódio, de inveja, e mil outras coisas, que estão relacionadas mais com a mente instintiva, no mundo das sensações, são, em maioria, inerentes às vibrações “terra-a-terra”. Tem que haver um paralelo afim, entre os desejos e as vibrações, para que os elementos propiciatórios produzam as condições no plano em que estão situadas.

Os Exus entram em expansão, ou melhor, em contato influente, 3 Sub-planos, “terra a terra”:

No 1.º) , estão eles mesmos, isto é, todos os Espíritos que se situam na qualidade de Exus, no 3.º Ciclo dos Espíritos Elementares, mas na última fase de ascensão ou libertação.

No 2.º , vêm os Espíritos mais atrasados que se conhecem pelo qualificativo de Omulus, que são no 2.º Ciclo da Fase de Elementares.

No 3.º , colocam-se os Espíritos mais rudimentares ainda, que são classificados como Pagões ou “Rabos de Encruza”, e que estão situados no 1.º Ciclo da Fase de Elementares.

Em síntese: todos são Espíritos Elementares, em vários estágios de evolução, pois que o mistérios dos TRÊS realiza-se em TRÊS Mundos, ou Planos, ou seja, o “Triangulo de cima reflete-se no Triangulo de baixo…

Os Exus como dissemos, são os principais intermediários entre a Quimbanda e a Lei de Umbanda. Trabalham invariavelmente dentro da Magia, embora elementar, tendo sempre, como ponto de fixação, as oferendas dessa ou daquela forma e sabem usar da Lei de Pemba, no âmbito que lhes é próprio, sendo conhecedores dos sinais riscados inerente aos seus círculos e todos se identificam pelas chaves características de Flecha-Chave e Raiz.

 

 

 

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