Defeito Capital da Ira

 SÉRIE DEFEITOS CAPITAIS

Talvez seja muito difícil saber definir as coisas, pois sei que elas têm significados e, mesmo assim, parece ser difícil. Considero que a humanidade inventou sua escrita, seus números e conforme inventamos damos nomes a essa invenções. Conforme descobrimos damos nomes às nossas descobertas. Um exemplo científico é o Bóson de Higgs ou “partícula de Deus”. Este bóson já era há muito existente, porém, só no século passado descoberto e neste início de século confirmado.

Logo com a descoberta foi dado um nome a essa partícula. Isso demonstra que denominações são só denominações e nada mais. As coisas não são como pensamos ser, são o que são; existem, podem ser fundamentais para o que lhe serve, mas o que penso ser a cadeira, pra mim o é por que assim é a denominação do objeto a que chamamos “cadeira”. Poderia chamar mesa ao que é cadeira, isso na verdade não importa senão somente no plano da comunicação e gramática. A ordem dos fatores não altera o produto. As coisas são o que são e não deixam de ser por causa da ilusão de realidade provocada pelos sentidos e inteligência humanos.

Ao que interessa! A ira, terceiro defeito capital, seria um furor, penso. Confunde-se com a raiva. Só que me parece a raiva ser uma emoção mais instintiva, cabe dizer dos animais. A ira pode ser comparada à raiva. Fácil é dizer por que ficamos irados. Quando não estamos satisfeitos, é claro. Uma discussão pode provocar a ira, fazer algo que sabemos não gostar o outro também. Coisas mínimas podem fazer alguém se irar. Basta contrariar a vontade de desse, impedindo com que não tenha êxito no que lhe interessa.

Me impedir de algo, cercear minha liberdade de ser e de fazer o que quero já é suficiente para irar-me. Biblicamente encontramos passagens e relatos de ira. Lá diz que Deus é tardio em irar-se, porém, ira-se. Também diz para irarmos, mas não pecarmos. Daí pensar se a ira já não é um pecado. Biblicamente não poderia ser se Deus é capaz de ira. Também um conselho apostólico de não provocar a ira do irmão e também uma exortação paulina aos pais de não provocar a ira dos filhos. Nesse sentido continuo a acreditar que a ira é um furor, uma insatisfação com alguma coisa.

Deus, ao ficar insatisfeito, por várias vezes na Bíblia demonstrou o seu furor. Deus estava contra certas atitudes do povo, do seu povo ou de outros povos “pagãos” e, por esse motivo, mostrou sua ira com pragas, fome, guerras, desastres, etc., a ponto de deixar o “seu povo” cair na mão do inimigo e sofrer. Deus trabalhava constantemente com a natureza, a magia divina se refletia na força ou fraqueza de um exército, na colheita abundante ou desastre rural, na terra que emana leite e mel ou no deserto. A resposta de Deus estaria na natureza, na profecia, na iluminação de um sacerdote-guia. Todas as vezes que nos encontramos longe da vontade de Deus, contra suas leis, temos consequências negativas. O universo segue uma harmonia e têm suas leis imutáveis, infinitas, a vontade de Deus é refletida na natureza como o sol na terra ou como a matéria no éter. A inteligência Cósmica não falha.

Bom, a ira de Deus é então o próprio efeito de uma causa ruim, a colheita do que se plantou. Isso no plano cósmico! No terreno, o homem pode irar-se à vontade como o animal quando tem raiva? Quais são as consequências da ira? Penso que essa resposta vem imediatamente à circunstância. Qual a vantagem de irar-se por alguma coisa que vai contra a opinião própria? Não seria por causa da ira que vândalos destroem patrimônios públicos? Que um grupo, tribal, violenta negros, homossexuais e por aí vai? Irar, mas não pecar… Pode-se entender algum sentido nessa frase. Sentimentos são imprevisíveis. É difícil mesmo conter a emoção. Toda ação tem uma reação, precisamos aprender a agir. A ira vem, é um defeito, sim. Todo defeito ou vício será combatido com uma ou mais virtudes. Chegar a um estado passivo diante de algo capaz de nos deixar irados parece ser difícil, mas não é impossível. Irar, mas não pecar deve ser o primeiro passo para não mais irar-se, porque iramo-nos, deveras, e isso não deve ser empecilho para uma correta ação. A paz profunda que buscamos alcançar é capaz de não se deixar abater por nada e agir corretamente para o bem de todos. Irar também é humano, só que não virtuoso. Não é um pecado, é um erro a ser corrigido.

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