Desenvolvimento Espiritual de Mediação II

 

DOUTRINAÇÃO

 

“Nossos pensamentos geram nossos atos e nossos atos geram pensamentos nos outros.”

“Mediação entre dois planos diferentes, sem elevação de nível moral, é estagnação na inutilidade.”

“Não basta ver, ouvir ou incorporar Espíritos desencarnados, para que alguém seja conduzido à respeitabilidade.”

(Nos Domínios da Mediunidade – Cap. 13: “Pensamento e Mediunidade”).

 

Esta citação do livro psicografado pelo médium Chico Xavier é uma prova de que os espíritos manifestantes nos centros espíritas, seguidores da linha de pensamento codificada por Kardec, prezam pela elevação moral e esta, mais que tudo, seria a razão do advento do espiritismo.

Nisso se baseia o espiritismo: doutrinação moral. Isso não é ruim nem bom. O que é a moral para os espíritos, e o que ela é para os homens? Muita coisa, a depender da consciência e do nível de conhecimento e vivências de cada indivíduo. Portanto, não concordo com a doutrinação, pois assim o espiritismo não se diferencia das demais religiões, há doutrina; há processos litúrgicos que devem ser seguidos; há uma formação de evangelistas e médiuns espíritas, um caminho a ser seguido com bases fixas.

Quando se doutrina um espírito no evangelho e no pensamento espírita, o que está se fazendo? Tentando traçar um rumo, um objetivo para aquela alma, tirá-la de um caminho tortuoso para um caminho não comprovadamente certo, mas menos doloroso. Ora, não podemos pensar que seja correto acreditar que o mundo precisa do cristianismo mais que qualquer outra religião. Não se deve implantar o pensamento cristão onde ele não caiba. Jesus não é o dono da razão e da religião universal. Quando ele mesmo disse nos escritos segundo os evangelistas sinópticos que era o caminho, a verdade e a vida, o homem Jesus não era essa pessoa, mas o mito que representa, sim.

A palavra doutrinação é incorreta, muito melhor seria adotar o universalismo do que algo que revele doutrina, pois se há doutrina, há dogma, rito, liturgia, teologia, e o espiritualismo fica para trás.

A globalização mobiliza também as religiões se juntarem e não só os países. Uma religião ou filosofia doutrinária dominada por qualquer organização religiosa ou não, é aprisionamento de mentes. Pode-se pensar que doutrina seja algo para se seguir, e é, para quem queira. Necessário se faz pensar até que ponto isso é libertador, e até que ponto aprisiona. Sim, porque uma doutrina pode ser semelhante a outra, ter uma mesma linha de pensamento, talvez, só que nunca igual. Em algum ponto vai haver conflito. Onde há conflito há ausência de harmonia. E como conciliar? Pensando e fazendo da mesma forma, o que é impossível. Então, a discórdia não cessa, e o que é aceito são as diferenças. Assim ditou o Espírito João Cobú, guia pai-velho do médium Robson Pinheiro: união sem fusão, distinção sem separação. Disse direcionado aos espíritas e umbandistas.

Embora sejam as religiões conflitantes, repito, mesmo sem harmonia, há respeitabilidade. Mas que nenhuma delas, nem aquela que seja considerada a mais elevada, se julgue superior, ou a tendência do momento, ou a religião do futuro. Não existirá uma religião do futuro, pois a religião é uma criação antiquada do homem que tende a desaparecer com o advento da Nova Era de Aquário, que será só o início da nova era das consciências.

Pode ser difícil admitir, para alguns, mas uma consciência elevada não admite a religião como verdade, não se prende a uma doutrina, e sabe que a universalidade dos povos, raças, das religiões e filosofias são fundamentais, de um mesmo sistema cósmico, entende que tudo é uno em essência, mesmo que essa essência seja difícil definir e haja várias linhas de pensamento esotérico para entendê-la de uma ou outra forma.

Por isso, o espiritismo como doutrina é uma religião que aprisiona mentes como as outras. Não que seja má, mas alguém que siga a doutrina, se fixa nela e se mantém nos seus ritos. Qualquer religião pode elevar a alma, desde quando um praticante dela seja sincero nos seus propósitos. Essa alma enquanto estiver ligada a ela vai crescer, pode até iluminar-se. A alma, no entanto, estará fixa numa coisa só e não conseguirá entender a si mesma, a Deus e ao Universo sem o ponto de vista da sua religião, o que leva a concluir que está aprisionada, não no sentido ruim do termo, como se a alma fosse ignorante e retardada, não! Acontece que uma consciência elevada a ponto de uma transformação de vida e de mente não precisa de religião alguma. Uma alma elevada se encontra além disso tudo e não sente necessidade de professar um credo, porque seu credo é universal.

Nestes termos, é razoável compreender que o caminho da liberdade é seguir sua própria vontade, independentemente de credo religioso ou doutrina espiritualista. É a liberdade que condiciona o indivíduo segundo seus próprios anseios e necessidades de sua personalidade. Tendo a liberdade, faz o que quiser e como quiser, como um pássaro que tem o ceu inteiro para alçar voo e a Terra inteira para pousar e firmar os pés.

Alguém que adote uma doutrina irá se preocupar em segui-la corretamente, ainda que não o faça. E todo pesar ou falha nesse sentido gera constrangimento, remorso e, muitas vezes, reprovação. Isso o indivíduo faz consigo mesmo, quando não vêm da parte de outros desajustados espiritualmente, incapazes de entender o próximo ou se relacionar com os defeitos do outro.

Nisso, o universalismo dá ao aspirante uma liberdade maior capaz de levá-lo a vários caminhos para que crie o seu próprio e, se não der certo, refaz o rumo e traça um novo objetivo, exatamente pelo fato de não estar aprisionado em doutrina alguma, impossibilitado de remorso, constrangimento e prisão intelectual.

Aí sim, o ser é livre para ser o que quiser de verdade; ele pode ter um real encontro com sua Verdadeira Vontade e ser plenamente feliz em gozo de vida, alimentando-se mais pela alma que pela mente das benesses divinas espalhadas no Universo, especialmente na Terra.

Um religioso pode ter uma “mente aberta”, como se diz, ele pode gostar de muitas coisas, ler de tudo, e acreditar em outras doutrinas; ele pode até ser livre, pois usou de sua liberdade para se apegar nos conceitos religiosos, pode ser um bom homem ou uma boa mulher; pode ser um iluminado. No entanto, a religião, em si, traz consigo aspectos que são dogmáticos e doutrinadores, ou seja, há o certo e o errado para ela; a religião se define pelo que acredita que seja absoluto e certo, por isso há na religião proselitismo e fundamentos que não podem ser descartados. E como sabemos que tudo é relativo neste mundo de meu deus, não pode ser a religião a carta final do Cosmos para a evolução da Consciência Cósmica na Terra.

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