Prazer Sexual no Gnosticismo

DIFERENÇA ENTRE OS PRAZERES ERÓTICO E ORGÁSMICO

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Por: Giordano Cimadon


Alguns estudantes gnósticos, em sua busca por entendimento a respeito das orientações gnósticas sobre a sexualidade, receiam que a disposição de evitar a ejaculação e o orgasmo resultem numa atitude repressiva que o leve ao isolamento social. Este tema exige uma reflexão abrangente sobre o tema da sexualidade sob a perspectiva gnóstica e sobre a recomendação relacionada com o prolongamento do ato sexual, com o orgasmo e a ejaculação.

Em essência, a doutrina gnóstica propõe e ensina a Revolução da Consciência, que significa a alteração do estado atual da consciência para um estado completamente novo, no qual ela alcança seu despertar completo e, então, pode manifestar os atributos divinos. Para isso é preciso antes compreender, de maneira íntima e profunda, que o estado atual da consciência humana é limitado, o que faz com que nossa relação com o mundo que nos cerca também seja limitada.

Para ensinar como ultrapassar e vencer estas limitações e assim alcançar a almejada revolução, Samael Aun Weor reuniu os principais fundamentos da sabedoria universal das antigas culturas e das tradições místicas e esotéricas, e expressou sua síntese. Esta síntese acabou sendo conhecida através dos Fatores de Revolução da Consciência, que são três ao total. Todo o conhecimento relacionado com estes três fatores encontra paralelo com a sabedoria das antigas civilizações e pode ser explicado por elas.

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Um destes fatores está diretamente relacionado com o sexo, e principalmente com a relação existente entre a nossa consciência e a nossa sexualidade. Qualquer pessoa sabe que a sexualidade serve para a reprodução da espécie, mas poucos se dão conta que em um nível mais sutil, a sexualidade origina as diversas funções cognitivas, volitivas e emocionais dos seres humanos. Portanto, quanto mais saudável e equilibrada for a vida sexual de um indivíduo, melhores serão seus pensamentos e seus sentimentos, o que por sua vez lhe trará um relacionamento também mais saudável e equilibrado com o mundo que o cerca.

Ainda assim, muitos sábios, homens e mulheres de todas as épocas e lugares, têm percebido ao longo da história da humanidade que o ato sexual é capaz de proporcionar, além das sabidas sensações de prazer fisiológico intenso, sensações que parecem transcender os limites do corpo, chegando a tocar a própria alma e abrindo a consciência para experiências que podem ser qualificadas como espirituais e divinas. Estas experiências são vividas com grande intensidade especialmente durante o ato sexual, quando uma energia de grande sutileza, a qual chamamos erotismo, percorre toda a extensão de nosso Ser, desde o corpo até o espírito.

Nem todas as pessoas se dão conta do quão especial é esta energia, e de ela pode nos trazer uma série extensa de benefícios físicos, mentais e espirituais. Na verdade, são muito poucas as que sequer percebem esta possibilidade, e há muitos que, quando apresentados à este fenômeno, esbarram em sua visão limitada sobre o sexo, sobre a espiritualidade e sobre a vida em si mesma. Dado o estado de adormecimento da consciência, esta sofre para poder admitir a existência e conhecer todas as possibilidades elevadas que o sexo é capaz de conferir, preferindo acreditar que o prazer, assim como a procriação, é uma de suas finalidades, quando na verdade é apenas uma de suas consequências.

Pois o prazer foi concebido para servir como consequência do encontro sexual, de modo que a natureza pudesse assegurar a reprodução da espécie, e que a divindade pudesse assegurar sua mais sublime e direta revelação aos seres humanos.

Em um ato sexual normal, sem bloqueios, ansiedades, temores e tabus, o prazer corresponde ao encontro dos corpos, desde a aspereza dos genitais, passando pela suavidade dos lábios, e chegando à sutileza dos olhos. Quem sabe desfrutar do amor e é capaz de conduzi-lo com arte, toma consciência do êxtase físico até que ele se converta em êxtase místico. Mas aquele que realiza o ato sexual como uma besta, sem nunca ter se questionado a respeito de todos os demais fatores envolvidos neste sublime encontro provocado pelos deuses, haverá de buscar unicamente o prazer no orgasmo e na ejaculação, processos biológicos que decretam o fim desta sublime e complexa experiência de prazer.

Embora não seja possível negar a existência de prazer nestes processos biológicos, é certo que este prazer específico corresponde tão somente a um alívio de tensão. Todo o prazer anterior era erótico e não orgásmico, e as diferenças entre os dois são gritantes.

O prazer orgásmico dura segundos. O prazer erótico é muito mais prolongado do que o orgásmico, e pode ser transformado em prazer continuado e permanente, ainda que não na forma de um prazer exclusivamente genital ou físico, mas através do amor, do despertar interior, da alma erotizada e do êxtase místico. Enquanto o prazer orgásmico anula a consciência, o erótico a aumenta, permitindo a existência de um envolvimento profundo com o parceiro ou a parceira. Mas o que mais nos chama a atenção aqui é que o prazer orgásmico decreta o fim da experiência de prazer erótico, logo este que, caso pudesse ser prolongado, sustentado e modificado, levaria a estados de consciência muito elevados e concretos.

Pelo que foi visto anteriormente, a experiência prolongada, continuada e frequente do prazer erótico, bem como o alcance de todos os demais benefícios que dela derivam, depende do abandono do prazer orgásmico. Ao contrário do que pode ser objetado, não existe repressão sexual no ato de evitar o prazer orgásmico, porque na verdade não se trata de evitar o orgasmo e a ejaculação, mas sim evitar seu aparecimento através do direcionamento da consciência para o prazer erótico e o envolvimento amoroso que dele deriva.

Este é o 2° Fator de Revolução da Consciência, que na doutrina gnóstica também é conhecido como o Nascimento Espiritual, já que uma de suas consequências é o surgimento de um novo padrão de consciência, que corresponde à uma verdadeira Ressurreição. Com estas palavras não estou querendo limitar o assunto, que é vastíssimo e possui implicações psicológicas e místicas muito mais amplas do que as que puderam ser expostas neste breve espaço. O fundamental é a experimentação do processo e a chegada à conclusões próprias, mas o estudo da doutrina gnóstica e das antigas tradições e religiões de mistérios é muito importante para a ampliação da base de sabedoria sobre a qual a consciência apóia suas reflexões.


Fonte: Sociedade Gnóstica Internacional

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