Dogma e Ritual – Citações e Resumo I

Oc.empuata-dogmaeritual

 

DISCURSO PRELIMINAR

“Todo poder que não dá razão de si mesmo e que pesa sobre as liberdades, sem lhes dar garantias, é somente um poder cego e transitório: a autoridade verdadeira e duradoura é a que se apóia na liberdade, dando-lhe, ao mesmo tempo, uma regra e um freio. Isto exprime o absoluto em política.”

O homem é um Deus em ação, pois saiu das mãos de Deus, e está aprisionado em sua ignorância. Para libertar-se, deve quebrar as amarras pelo estudo e trabalho, pois a Verdade é Vida e Vida é Liberdade. Esta liberdade está alicerçada nos opostos e sempre a convergência deles é que traz benefício, pois um não vive sem o outro. Nesse sentido, há a Fé e a Razão, a Religião e a Ciência, a Autoridade e a Liberdade.

O Verbo Divino é o princípio, é o verbo em ação. Deus só produz, por isso ele não fala, ou usa palavras, mas o Verbo que é movimento. O Verbo é o primeiro princípio da criação. O Verbo encarnado no Messias mostrou ao homem a interação entre humanidade e divindade, provando que o Cristo realizava pelo Verbo, e que o homem tem potencial divino e pode usar do poder da Vontade que é força viva emancipada através do conhecimento da ciência dos antigos magos e da cabala.

 

VOLUME I – DOGMA

INTRODUÇÃO

“A pedra filosofal, a medicina universal, a transmutação dos metais, a quadratura do círculo e o segredo do movimento perpétuo, não são, pois, nem mistificações da ciência nem ilusões da loucura; são termos que se devem entender no seu verdadeiro sentido, e que exprimem os diferentes empregos de um mesmo segredo, os diferentes caracteres de uma mesma operação que definimos de um modo mais geral, chamando-a somente a grande obra.”

Indicação autores: Pico de Mirandola; coleção de Pistório; Leão Hebreu; Talmude; Guilherme Postello; Jacob Boheme; Swendenborg; Saint Martin; Pitágoras; Édipo; Platão.

Letras do alfabeto hebraico: Aleph; Beth; Ghimel; Daleth; Hê; Vav; Zain; Cheth; Teth; Iod; Caph; Lamed; Mem; Nun; Samech; Hain; Phe; Tsade; Coph; Resh; Schin; Thau.

 

CAPÍTULO 1 (KETHER) – O RECIPIENDÁRIO

Sobre Princípio

“Que é um princípio? É uma base de palavra, é uma razão de ser do verbo. A essência do verbo está no princípio: o princípio é o que é; a inteligência é um princípio que fala.”

Eliphas introduz este primeiro capítulo da primeira parte em que trata do dogma dissertando sobre o que venha ser “princípio”. Nada mais relevante para uma obra que desdenha desvelar aspectos de Cabala e filosofia oculta.

Ora, princípio é a razão de ser, é excelência, fundamento de todos os outros fundamentos, é o essencial, o que por si mesmo fala por todos, aquele em que as outras coisas se explicam e tomam por base e alento.

E por que falar-se de princípio? A razão é que o autor quer falar de uma coisa que não pode ser dita sem a outra. Princípio é o retrato do Ente que, na verdade, não há nele começo, meio, ou final; mas como o Ente é por si próprio, torna-se o princípio de tudo o que vem por ele, depois dele e através dele.

Por isso mesmo, Eliphas começa citando Descartes e Moisés e duas frases: “penso, logo existo” (cogito ergo sun); “eu sou quem eu sou”. Esta última seria a revelação do próprio Ente divino a Moisés de sua natureza; a outra uma elucubração filosófica de um dos mais notáveis pensadores de sua época, em que uma boa parte dos místicos-pesquisadores acredita ter sido rosacruz. O que há de semelhante e esclarecedor nisso tudo, e que o autor deixa intrínseco, é a ligação lógica e semântica que contêm. Se o Ente é aquele que é, e se, penso, existo de forma que, existir é ser, aquele que pensa e existe é como aquele que é por si mesmo, um Ente; ou seja, o Ente primeiro, da revelação de Moisés é o Ente dos entes segundos, os que se enquadram na acepção de Descartes: nós, homens mortais, espíritos eternos. Esta é a ligação entre uma e outra, entre homem e Deus.

O autor descreve uma frase que junta ambas as relatadas: eu sou, logo o ente existe. Eu sou quem sou seria o primeiro dos axiomas hermético-cabalísticos, a frase-mestra da filosofia oculta; “o ser é o ser”.

 

Sobre Magia

“A magia é a ciência tradicional dos segredos da natureza, que nos vem dos magos.”

“Por meio desta ciência, o adepto se acha investido de uma onipotência relativa e pode agir de modo que ultrapassa a capacidade comum dos homens.”

É necessário a quem queira ser mago por excelência quatro coisas indispensáveis:

  1. Uma inteligência esclarecida pelo estudo.
  2. Uma audácia que nada faz parar.
  3. Uma vontade que nada quebra.
  4. Uma discrição que nada corrompe.

Os quatro verbos do mago são: saber; querer; ousar; calar. Conectam-se com os símbolos da esfinge.

“Vós, pois, que quereis ser iniciado, sois tão sábio como Fausto? Sois impassível como Jó? Não, não é verdade? Mas vós podeis o ser, se o quiserdes. Vencestes os turbilhões dos pensamentos vagos? Sois sem indecisões e sem caprichos? Não aceitais o prazer só quando o quereis, e não o quereis só quando o deveis? Não, não é verdade? Não é sempre assim? Mas isso pode ser, se o quiserdes.”

“No caminho das altas ciências, não convém empenhar-se temerariamente, mas, uma vez em caminho, é preciso chegar ou perecer. Duvidar é ficar louco; parar é cair; voltar para trás é precipitar-se num abismo.”

 

CAPÍTULO 2 (HOCMAH) – AS COLUNAS DO TEMPLO

“No Evangelho, o tipo Caim é substituído pelo filho do pródigo, a quem seu pai perdoa tudo, porque ele volta depois de ter sofrido muito.”

“Em Deus, há misericórdia e justiça; ele faz justiça aos justos e misericórdia aos pecadores.”

“Na alma do mundo, que é o agente universal, há uma corrente de amor e uma corrente de cólera.”

Neste capítulo, o autor faz uma alusão ao binário representado nas forças opostas pela simbologia do homem e da mulher. Esse jogo de forças no universo, do A passivo, do B ativo, do yang e yin, Boaz e Jakin, respectivamente, a unidade e a dualidade, o princípio e o Verbo, são as forças que dão origem ao ternário da manifestação cósmica ou universal. Importante lembrar que nos estudos herméticos fala-se de universo (o nosso) e o Cósmico ou Cosmos. Nesse sentido, não há um só universo, mas vários; o cosmos abrange os universos e cada universo tem a mesma forma de criação ou manifestação cósmica. Não significa que os vários universos são compostos de uma mesma matéria exatamente, contudo, são constituídos dos mesmos princípios, há processos semelhantes.

A mulher é emanação do princípio masculino, portanto, é o princípio primeiro, ou primeira emanação do princípio essencial. Tudo o que é criado depois dela está em seu seio. A mulher é conservadora, o homem é destruidor. A mulher é quem ceifa e edifica, o homem é quem planta e desfaz. O princípio masculino criador é representado pelo phallus (falo) que interage com o oposto, a mulher, o princípio feminino para que gere. O homem é a força propulsora, a mulher a fonte geratriz. Vivenciando os mitos africanos, é possível dizer que Exu é o vitalizador, elétrico, propulsor e a pombo-gira (Bonbonjira) é o magnetismo, a canalizadora, a geradora. Exu força repulsora, pombo-gira, força que atrai. Só que os mitos africanos não são parte dos temas de Eliphas que, provavelmente, nem os conhecia. Para fins míticos mais conhecidos e usando-se dos da Bíblia, mais conveniente para os estudos cabalísticos, Adão é o pai de Caim e Eva a mãe de Abel. Caim, instintivo e impulsivo, Abel, intuitivo e moral. A superioridade de Abel faz inveja em Caim que o mata, no entanto, fica marcado para sempre sendo perseguido pela sua memória. Está aí a interdependência dos opostos, a filosofia do binário, seu significado alegórico da mulher que sai da costela ou peito de Adão, possível de conhecer por não-iniciados.

 

CAPÍTULO 3 (BINAH) – O TRIÂNGULO DE SALOMÃO

“A própria gramática atribui três pessoas ao verbo. A primeira é a que fala, a segunda é aquela a quem se fala, a terceira é aquela de quem se fala.”

“Se Deus só fosse um, nunca seria criador nem pai. Se fosse dois, haveria antagonismo ou divisão no infinito, e seria a partilha ou morte de todas as coisas possíveis; é, pois, três, para criar de si mesmo e à sua imagem a multidão infinita dos entes e números.”

Aqui é demonstrada a filosofia do ternário. Os opostos são aparentemente opostos, pois a tendência é de atraírem-se formando o ternário. Por isso as pessoas se juntam, para complementarem-se gerando um terceiro, o filho.

O três é o número perfeito, e tudo o que é perfeito é representado por este número ou tem nele seu amparo. Deus se fosse dois, seria divisão, como três é união; por isso, no rosacrucianismo templário, a primeira ponta do triângulo é Luz, a segunda, Vida e, a terceira, Amor.

 

CAPÍTULO 4 (HESED) – TETRAGRAMA

Símbolos do quaternário: na ponta de cima da cruz – o azoto, a águia e o ar; na ponta esquerda – o enxofre, o fogo e o leão; na ponta direita – o mercúrio, o homem e a água; e na ponta inferior – o sal, o touro e a terra.

 

CAPÍTULO 5 (GEBURAH) O PENTAGRAMA

“O pentagrama exprime a dominação do Espírito sobre os elementos, e é por este signo que encadeamos os Silfos do ar, as Salamandras do fogo, as Ondinas da água e os Gnomos da terra.”

“Se perguntarem como um signo pode ter tanto poder sobres os espíritos elementais, perguntaremos, por nossa vez: por que o mundo cristão se prosternou diante do sinal da cruz? O sinal por si mesmo nada é, e só tem força pelo dogma de que é resumo do verbo.”

Obs.: desenho pentagrama pg. 81.

 

CAPÍTULO 6 (CHETH) O EQUILÍBRIO MÁGICO

Não há muita coisa a ser descrita neste capítulo. O autor fala do equilíbrio mágico que é a combinação filosófica, química e alquímica dos opostos. Para ele, ao contrário do que se pensa, os semelhantes provocam a guerra e, os opostos a simpatia.

 

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