Deus – realidade e idealidade

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Bíblia, logo se vê que a criação dependeu de uma palavra. Começando pelo “haja luz”. Em João, o evangelho, percebe-se o seguinte: “No início era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus.” O verbo é sempre uma palavra, nisso, Jesus na representação mística do evangelista João era a palavra, o próprio Deus. Deus, então, é o verbo, ou melhor dizendo, Ele É a manifestação da palavra ou o que se manifesta pela palavra (o verbo). Jesus é o verbo, a palavra de Deus, o verbo manifestado conforme a Bíblia.

Isso é muito interessante, pois, nos vedas, livro máximo dos hindus, a sílaba OM é o verbo de Deus. Esta sílaba representa Brahma, o criador do Universo. OM é o som que representa e manifesta pela palavra, o deus hindu que é criador do mundo.

Jesus, disse: “eu e o Pai somos um e vós podeis se juntar a nós e tornar-se um”. Ele também disse: “Vós sois deuses”. Se prestarmos atenção nessa mística cristã, vamos perceber o seguinte: Jesus é o verbo, e é Deus manifestado, porque é um só com o Pai; os “filhos de Deus” são um com Cristo, portanto,  também o verbo, manifestação de Deus e são, assim, deuses.

Há um cântico que precede os Upanishads e diz:

“Vós sois o fogo,

Vós sois o Sol,

Vós sois o ar,

Vós sois a Lua,

Vós sois o firmamento estrelado,

Vós sois o Brahmam Supremo:

Vós sois as águas – vós,

O Criador de tudo.”

Isto é uma breve introdução para que possamos nos perguntar: quem somos nós? Tem um Deus fora de nós mesmos que coordena tudo ou fazemos parte disso tudo? Que fenômeno seria o Criador? Talvez, o fenômeno da criação seja a manifestação. E nós que somos os manifestados, somos uma parte daquele que é manifestante. Manifestados e manifestante são a mesma coisa. Somos deuses manifestados na realidade de algo que é manifestante na idealidade. Isso ainda quer dizer que há várias ideações de Deus, mas que na realidade Ele não pode ser conhecido, portanto somos os deuses de nosso próprio ideal e fazemos de nossa realidade os deuses que veneramos.

Deus e nós somos a mesma coisa porque o real e o ideal fazem parte de um mesmo fenômeno que é o ser humano. A idealidade são nossas ideias, nossa imaginação e nossas crenças. A realidade é aquilo que conhecemos pelos sentidos físicos. Nós interpretamos aquilo que conhecemos como realidade a partir do que cremos como idealidade. Realidade e ficção se juntam. Portanto nosso ideal diz muito sobre nós. Acreditar em um deus é manifestar a própria vontade de ser um deus. O deus que acreditamos é o deus que queremos ser. E assim, somos deuses, pois deus e o homem são uma coisa única: um fenômeno de realidade e idealidade.

O que os mitos representam para nós? Qualquer coisa que queremos, é a resposta. Os mitos, os deuses e os herois são aspectos psicológicos de nosso próprio ser. Pelo estudo das tradições, da origem do teatro e da própria religião encontramos rituais e manifestações artísticas de homens que encenavam os seus deuses. Aprendemos que, numa representação teatral não podemos imitar, mas devemos ser a personagem. Assim, ao representarmos os deuses, estaremos sendo os próprios deuses. O que é o anseio de deus senão uma necessidade intrínseca de manifestar o deus interior? O ser humano busca a deus fora de si mesmo, sendo que deveria buscar a partir de si mesmo, pois toda a potencialidade divina é interior. Somos deuses amigos! O representemos e o manifestemos a partir de nós mesmos.

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